O sensacional UFC 147- BH! Considerações e zoações.

Os dois pôsteres do evento, antes e depois da saída do Belfort.

Pois é meus amigos, contrariando todas as expectativas negativas, o UFC  147 BH veio para consagrar o nosso país como uma das principais sedes de eventos mundiais. Posso dizer por uma perspectiva bem pessoal como este evento foi marcante para o esporte tanto em Minas Gerais quanto no Brasil inteiro. O evento é o quarto UFC em território nacional, sucedendo os eventos de São Paulo (UFC Brasil, ou UFC 17.5, em 1998) e os dois eventos do Rio de Janeiro (UFC 134 e 142, em 2011 e 2012 respectivamente) trazendo consigo já uma péssima expectativa quanto ao card fraco, sem a luta de Sonnen e Anderson Silva e sem a presença de Vitor Belfort. Mas para a surpresa de todos, o evento demonstrou ser um dos mais emocionantes em território nacional, muito graças aos excelentes e raçudos lutadores oriundos do TUF Brasil e  a emocionante luta de Wanderlei Silva contra Rich Franklin.

Quem enfrentou uma longa fila para esperar a abertura dos portões, que se abriram 18 horas em ponto (aliás, outo ponto a se destacar no evento, a absurda pontualidade) presenciou o profissionalismo deste espetáculo que visa unir as diversas artes marciais em um ringue de oito lados. Na platéia, observei representantes de escolas de Jiu-Jitsu (muitos, aliás), representantes da capoeira, do boxe, do ninjutsu,  do muay thai, do karatê, bodybuilders e donos de academias vindos de lugares como Divinópolis, Sete Lagoas e Juiz de Fora. Todos indo assistir a consagração máxima dos esportes de artes marciais em nosso Estado.

Mineirinho começando a encher antes do espetáculo começar.

Talvez as lutas tenham frustrado muitos fãs de ocasião, que vaiaram de cinco em cinco segundos as lutas quando elas tomavam um caráter mais estratégico e parado, num gesto extremamente desrespeitoso. Mas isto é uma questão de tempo e educação. Muito da falta de informação dos fãs será corrigido com o tempo, assim como os fãs momentâneos que logo enjoarão do esporte. Independente disso, os fãs lotaram as dependências do Mineirinho, com 16.643 ingressos vendidos. além dos convidados ilustres, como Junior Cigano, Lyoto Machida, os irmãos Nogueira, José Aldo, O ‘Iceman” Chuck Lidell e um tímido Vitor Belfort, que foi vaiado agressivamente pelo público.

Mas chega de babação de ovo, vamos às lutas:

Card Preliminar:

Filipe Sertanejo v.s. Miltinho Vieira.

Não vou me ater a falar desse início morno para o show, foram alguns chutes bem colocados e um improvável empate, apesar de eu ter contado mais pontos para o Sertanejo, que entra ao som de Bruno e Marrone.

Vina v.s. Galeto.

Aqui é que a coisa pega fogo, temos dois dos melhores ex-participantes do TUF querendo mostrar serviço. Galeto demonstrou grande domínio sobre Vina durante o primeiro round e no início do segundo round com golpes certeiros, mas próximo do fim do último minuto, Vina encaixa uma sequência excepcional de socos com o adversário prensado na grade, naquele que considerei o melhor nocaute da noite.  A vitória de Vina acordou o público que ovacionou o vencedor. Deu-se aí o início do UFC BH.

Bodão v.s. Macarrão.

Tiago Bodão conquistou imenso respeito dos telespectadores do TUF Brasil após demonstrar uma série de vitórias tanto pessoais quanto esportivas. Sua luta contra  Massaranduba foi eleito o melhor confronto do programa. Por isso mesmo, o atleta já entrou no ringue ovacionado pelo público. Macarrão foi o “lutador raçudo” das eliminatórias que não demonstrou grande desempenho no programa, mas vinha com vontade de vencer. Ambos optaram pelo estilo que já demonstravam no programa, com muita trocação e agressividade, mas a torcida a favor e o preparo físico favoreceram Bodão, que no final do terceiro round conseguiu levar a luta para o chão com um soco na orelha de Macarrão e encerrar a luta com socos no adversário caído.

Hugo Wolverine v.s. John Macapá.

Decisão polêmica: quem assistiu a luta (contando comigo) contou mais pontos para Macapá, enquanto os juízes deram a vitória para Hugo Wolverine em decisão dividida. Em luta aberta, de pé e ágil como uma luta de penas deve ser, Wolverine dominou bem o primeiro round, lutou com dificuldade no segundo e perdeu o terceiro. Sua técnica que remete muito ao taekwondo não conseguiu abrir o estilo ” durão” de luta em pé de Macapá. No final a luta acabou em 29 a 28 para Wolverine e ficamos com a pulga atrás da orelha.

Massaranduba v.s. Pé de Chumbo.

Não há como não associar o jeitão do Massaranduba com o nosso querido boxeador Maguila. O jeitão inocente e porrador do lutador brasiliense marcou história no Mineirinho ao nocautear Pé de Chumbo antes mesmo do primeiro round acabar, numa luta franca em pé totalmente unilateral. Esperamos ver mais desse lutador que marcou o TUF logo no começo com a sua frase ” Eu nasci pra bater em outro cara…” .

Rodrigo Damm v.s. Gasparzinho. 

É a famosa briga entre o C.D.F. e o palhaço do culégio. Os dois apareciam mais fora do ringue brigando do que dentro por causa das brincadeiras, e Damm teve que sair do TUF mais cedo por causa de uma contusão inesperada nos treinos. Desde a pesagem, Little Casper tentou comprar o público com suas brincadeiras e seu carisma, até com a sua entrada ao som de kuduro, com muita dança contra o rock gospel de Damm:

Não deu certo, o público ficou do lado de Damm que todos acreditavam merecer uma segunda chance por ter saído antes do programa e o lutador levou a luta para o chão e finalizou Little Casper ainda no primeiro round com um mata-leão.

Card Principal:

Yuri Marajó v.s. Hacran Dias.

É uma imensa lástima que a luta de número 2000 do UFC tenha sido tão morna. Diferente dos lutadores do TUF que estavam com a corda no pescoço e sabiam disso, os dois lutadores não demonstraram muita gana, em especial Yuri Marajó que parecia estar num treino suave. Marajó teve um único bom momento na luta, quando quase conseguiu aplicar uma chave de braço, mas não foi bem-sucedido. Hacran dias dominou toda a luta e venceu, apesar da imensa vaia e dos gritos de “beija, beija” da torcida.

Werdum v.s. Russow.

“Vai cavalo!”  Gritou a torcida para Fabrício Werdum enquanto ele massacrava o gordinho Mike Russow. Tudo bem, sabemos que o americano estava lá pra servir de “escada” para Werdum, mas e daí? O excelente jab no queixo de Russow levou-o ao chão para Werdum encerrar a luta em grade estilo, para delírio do público mineiro. Agora resta saber se O vai cavalo (apelido que teria ganho das meninas com quem ele teve, digamos, relações mais íntimas) voltará a disputar um cinturão dos pesados, atualmente sob a posse de Cigano.

Rony Jason v.s. Pepey.

A primeira final do TUF e aquela mais cercada de dúvidas. Ambos demonstraram bom desempenho no TUF e já haviam se enfrentado antes no jiu-jitsu:

Por questões que envolvem mais carisma do que técnica, a torcida apoiou Rony Jason, que chegou no octógono coberto de lágrimas e saiu da mesma forma. Pepey veio embalado no TchuTchaTcha e já chegou com antipatia do público. O combate mostrou maior nível técnico para Jason, que também foi bem calculista e teve um pouco de medo de se arriscar contra o raçudo Pepey, que chamou Jason para a luta de chão o tempo todo, mas foi repelido. Após muitos nervos à flor da pele, dois chutes genitais por parte de Pepey e um final de luta conturbado, Jason sagrou-se o primeiro campão do TUF Brasil.

César Mutante v.s. Serginho.

Falemos agora da luta mais emocionante da noite, com um certo espírito de filme do Rocky.O protegido de Belfort, César Mutante, já era um campeão antecipado após seu principal rival na casa, Daniel Sarafian, se contundir e sair da disputa. Serginho aparecia como um azarão pronto para ser massacrado por Mutante na decisão. O público estava dividido entre o apoio ao belorizontino naturalizado e a antipatia a seu treinador e mestre, Vitor Belfort. Serginho chegava com bastante nervosismo e muita simpatia (fator que foi marcante em sua participação no programa). O primeiro round mostrou um Mutante confiante e agressivo na disputa em pé, contra um Serginho desnorteado, acertado por excelentes chutes, joelhadas e socos de Mutante. No segundo round vemos Mutante quase finalizando a luta, quando um inesperado e raçudo Serginho levantou e acertou uma sequencia que quase desmaiou Mutante, que foi salvo pelo gongo. No terceiro round, faltou a Serginho confiar mais em seu taco, pois novamente Mutante dominou e quase nocauteou o lutador paulista com um soco. A vitória no TUF consagrou Mutante e seu estilo misto de jiu-jitsu com capoeira. Resta saber se agora que está no UFC, ele fará história como seu mentor.

Wanderlei Silva v.s. Rich Franklin.

Falamos bastante sobre a luta, a rivalidade entre os dois e as perspectivas em nosso programa do Mortal Debate, mas o que resta a acrescentar é que  a luta desenvolveu-se em pé, com clara superioridade de Franklin e muito respeito dos dois e seus estilos. Wand demonstrou uma forma diferente de lutar da qual estamos acostumados, um estilo mais estudado e menos agressivo. O grande momento do cachorro-louco foi no segundo round, onde levou o americano para o chão e quase nocauteou-o no ground and pound, mas o americano foi literalmente salvo pelo gongo. No terceiro e quarto rounds, clara vantagem de Rich Franklin e no quinto  tivemos o último suspiro do Axe-murderer, mas a vitória ficou na mão do adversário. A noite encerrou com emocionante pedido de desculpas de Wand para o público e respeitosas palmas daqueles que ficaram até o fim no evento e prestigiaram seu campeão. A derrota abre um leque de dúvidas quanto ao  futuro de Wanderlei no campeonato e se haverá de fato a tão sonhada revanche contra Belfort. O que podemos ter certeza é de que a mandinga da Feiticeira pega mesmo!

Gustavo Silva ainda não digeriu que foi num UFC!!!!!