Quem te viu, quem te vê.

É muito fácil falar de Roy Jones Jr. Jones foi com folga, o maior fenômeno do boxe em todos os tempos. Maior pugilista da histórica década de 90, Jones foi campeão mundial em quatro categorias (médios, super médios, meio pesados e pesados), derrotou lendas como James Toney, Bernard Hopkins e Mike McCallum, e de 1989 até 2003, perdeu apenas uma luta e, mesmo assim, por desclassificação. E Jones fez isso tudo sem grandes dificuldades. Dono de uma velocidade descomunal e de um estilo vistoso, Roy Jones vencia e convencia! Jones fez para o boxe, o que Lionel Messi e Anderson Silva fazem no futebol e no MMA hoje em dia.

http://www.youtube.com/watch?v=qkZBKi6_4lo

Mas o tempo passou, e se muitos sentem o tempo, Roy Jones sentiu o tempo como poucos. Ao contrário de seu grande rival, o também lendário Bernard Hopkins, Roy Jones não mostrou uma técnica diferenciada para compensar a queda de seus atributos físicos. Aí não teve jeito, os vexames começaram. Primeiro, foi nocauteado brutalmente por Antonio Tarver. Já na primeira luta depois de seu primeiro nocaute sofrido, novamente o fenômeno beijou a lona. Jones já não mostrava reflexos e velocidade para defender seu “queixo de vidro”. Ainda assim, Jones, após mais uma derrota para Antonio Tarver, mostrou resquícios do grande campeão que havia sido, e venceu três lutas seguidas, uma delas contra o famoso Felix Trinidad.

O campeão parecia ter voltado, a fase era excelente, mas Joe Calzaghe apareceu. Apareceu, venceu e convenceu. Fez com Roy Jones, o que ele havia feito com seus adversários a vida inteira. Calzaghe brincou e fez o que quis com o fenômeno no ringue. E se o fenômeno não acabou a luta na lona como em outras ocasiões, acabou machucado, ensangüentado, mas o mais importante: acabou de pé e com atitude de campeão. Aceitou as brincadeiras do seu algoz, assim como outros aceitaram as suas por anos. Uma verdadeira aula de comportamento dentro e fora dos ringues.

http://www.youtube.com/watch?v=CCHZVHMEXGQ

O tempo passou mais, e Roy Jones sentiu mais. A luta agora era uma revanche. Um duelo de quarentões. Um desses que Roy Jones venceu com facilidade em seus bons tempos. Mas 17 anos haviam se passado desde a primeira luta, e ao contrário do seu rival, Bernard Hopkins cresceu com o passar dos anos. E não deu outra. Hopkins, que esperou quase duas décadas para devolver a derrota que havia sofrido quando ainda era um pugilista imaturo, entrou para a seleta lista dos que venceram o grande Roy Jones. Em sua luta seguinte, Roy Jones desafiou o russo Dennis Lebedev para luta na categoria dos cruzadores. Jones não fazia feio até o último round, quando sofreu um dos piores nocautes de sua carreira. Com um nocaute brutal, Lebedev deixou o fenômeno desacordado no ringue. Se ainda restavam dúvidas, o russo colocou um ponto final em todas elas. Era a hora da lenda pendurar as luvas.

http://www.youtube.com/watch?v=DYf3IGQpF_M

Mas imaginem como é o ego de uma lenda? Deve ser difícil aceitar que a hora de parar chegou. E Roy Jones não parou… não parou e fez muito pior. Perdeu o respeito com a sua própria história e começou a lutar contra pugilistas insignificantes para conseguir vencer. Primeiro venceu o fraco Max Alexander por pontos em luta fraca como seu adversário. Logo em seguida, o fenômeno precisou de uma decisão por pontos e bem polêmica para derrotar o também insignificante Pawel Glazevzki.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar e Roy Jones faz questão de mostrar que o dito popular é verdade. A mancada da vez é a luta quase certa contra Steve Collins, um pugilista de ótima carreira nos super médios (onde foi campeão mundial), mas que já está aposentado há 16 anos. A luta já está bem encaminhada e parece ser questão de tempo para ser fechada. Os dois pugilistas já aceitaram dividir a bolsa da luta em 50% e tem Dubai e África do Sul como principais  favoritos para sediar a luta.

Steve Collins é uma rusga antiga de Roy Jones. Após Jones vencer Richard Frazier em 1999, Collins subiu no ringue e desafiou Roy Jones publicamente. A luta acabou não acontecendo e Collins sempre disse que Jones correu da luta como uma criança.

http://www.youtube.com/watch?v=gMjJ5caxJXw

Se a luta for mesmo confirmada, será mais um evento ridículo para o boxe. De um lado, Steve Collins, um pugilista de carreira muito decente, mas que além de estar aposentado há 16 anos, vai enfrentar Roy Jones na categoria dos cruzadores, que tem como limite de peso 14kg a mais do que a categoria dos super médios(categoria de sua última luta). Do outro lado Roy Jones, um dos maiores pugilistas de todos os tempos, mas que só tem a perder se enfrentar Collins.Em caso de vitória, não terá feito mais do que a sua obrigação. Vai vencer um pugilista aposentado há quase 20 anos. Se perder, vira uma das maiores piadas de todos os tempos e um prato cheio para os críticos.

O que não dá para entender, é o motivo de Roy Jones procurar lutas como essa.  Ao contrário de outros pugilistas que ainda teimam em esticar suas carreiras, Jones não passa por dificuldades financeiras para continuar passando vexame em um esporte aonde já reinou e conquistou respeito mundial. Uma alternativa que poderia fazer tanto Jones como seus incontáveis fãs satisfeitos, seria seguir na profissão de comentarista de Boxe. Jones que sempre se mostrou um bom conhecedor da nobre arte e que há muitos anos comenta lutas, poderia continuar trabalhando com boxe, mas fora dos ringues. Então aposenta logo, Roy Jones!!!